O que importa mais, a integridade pública ou a integridade privada? Percepções sobre corrupção em candidatos políticos no Brasil e no México
PDF (English)

Palavras-chave

Percepção da corrupção
Integridade pública
Moralidade
Comportamento político
Cultura política

Como Citar

Sousa Oliva, J. D. (2025). O que importa mais, a integridade pública ou a integridade privada? Percepções sobre corrupção em candidatos políticos no Brasil e no México. Revista De Direito E Análise Da Corrupção, 7, e093. https://doi.org/10.37497/CorruptionReview.7.2025.93

Resumo

Objetivo: O artigo investiga como diferentes sistemas de valores morais influenciam as preferências eleitorais e as percepções de corrupção em relação a candidatos políticos no Brasil e no México. O foco analítico está na distinção entre valores morais pessoais, associados à esfera privada, e valores morais sociais, vinculados à esfera pública e institucional, buscando identificar qual dimensão exerce maior peso na avaliação da liderança política.

Metodologia: Adota-se uma abordagem de métodos mistos. A etapa quantitativa baseia-se na análise longitudinal de dados do World Values Survey, abrangendo o período de 1981 a 2019, com aplicação de análise fatorial e construção de um índice de avaliação moral. A etapa qualitativa consiste em grupos focais comparativos realizados nos dois países, estruturados a partir do modelo tripartite das atitudes, contemplando dimensões cognitivas, afetivas e comportamentais.

Resultados: Os resultados indicam que brasileiros tendem a valorizar mais a integridade pública, demonstrando menor tolerância à corrupção no exercício de cargos políticos, mesmo em detrimento da eficiência percebida. Em contraste, mexicanos apresentam uma postura mais pragmática, atribuindo importância tanto à moralidade pública quanto à privada, com maior disposição para tolerar comportamentos corruptos quando associados à competência ou efetividade governamental. Em ambos os casos, observa-se inconsistência entre valores declarados e escolhas eleitorais efetivas, fortemente mediadas por fatores emocionais e contextuais.

Contribuições: O estudo contribui para a compreensão das relações entre moralidade, comportamento político e corrupção, evidenciando a instabilidade das atitudes morais e seus limites na promoção da accountability democrática.

https://doi.org/10.37497/CorruptionReview.7.2025.93
PDF (English)

Referências

Altemeyer, B. (2006). The authoritarians. Department of Psychology, University of Manitoba. [Manuscrito no publicado].

Assunção e Silva, W. F. (2017). O princípio da moralidade política segundo Ronald Dworkin e o processo de impeachment: o caso de Dilma Rousseff [Dissertação de Mestrado, Universidade do Vale do Rio dos Sinos].

Barbosa, T. (2020, octubre 21). Não faz, mas não rouba? [Ponencia]. 12° Encuentro de la ABCP, Democracia e Desenvolvimento, Universidade Federal da Paraíba. https://rb.gy/ovqql

Bezes, P., & Lascoumes, P. (2005). Percevoir et juger la corruption politique. Revue française de science politique, 55(5–6), 757–786. https://doi.org/10.3917/rfsp.555.0757

Bizer, G. (2004). Attitudes. En C. Spielberger (Ed.), Encyclopedia of applied psychology (Vol. 1, pp. 247–253). Elsevier.

Bizer, G., Barden, J., & Petty, R. E. (2006). Attitudes. En L. Nadel et al. (Eds.), Encyclopedia of cognitive science (pp. 247–253). Macmillan.

Da Matta, R. O. (1984). O que faz o brasil, Brasil? Editora Rocco.

Duska, R., & Whelan, M. (1975). Moral development: A guide to Piaget and Kohlberg. Paulist Press.

Dworkin, R. (2011). Justice for hedgehogs. Belknap Press of Harvard University Press.

Esaiasson, P., & Muñoz, J. (2014). Roba pero hace? An experimental test of the competence-corruption tradeoff hypothesis in Spain and Sweden. Working Paper Series, University of Gothenburg, 2(2), 2–25. http://hdl.handle.net/2077/38899

Haerpfer, C., Inglehart, R., Moreno, A., Welzel, C., Kizilova, K., Diez-Medrano, J., Lagos, M., Norris, P., Ponarin, E., & Puranen, B. (Eds.). (2020). World Values Survey: Round Seven – Country-pooled datafile version 3.0. JD Systems Institute & WVSA Secretariat. https://www.worldvaluessurvey.org/WVSDocumentationWVL.jsp

Lane, R. E. (1962). Political ideology: Why the American common man believes what he does. The Free Press.

Lledó Íñigo, E. (1985). Introducción. En Aristóteles, Ética Nicomáquea (pp. 9–43). Editorial Gredos.

Martínez Rosón, M. M. (2016). Yo prefiero al corrupto: el perfil de los ciudadanos que eligen políticos deshonestos pero competentes. Revista Española de Investigaciones Sociológicas, 153, 77–94. https://doi.org/10.5477/cis/reis.153.77

Olvera, A. (2016). La crisis política, los movimientos sociales y el futuro de la democracia en México. Revista Mexicana de Ciencias Políticas y Sociales, 61(226), 279–296. https://doi.org/10.1016/S0185-1918(16)30011-3

Peters, J. G., & Welch, S. (1980). The effects of charges of corruption on voting behavior in congressional elections. American Political Science Review, 74(3), 697–709. https://doi.org/10.2307/1958151

Pérez, O. J. (2015). The impact of crime on voter choice in Latin America. En R. Carlin, M. Singer, & E. J. Zechmeister (Eds.), The Latin American voter: Pursuing representation and accountability in challenging contexts (pp. 324–345). University of Michigan Press.

Rennó, L. R. (2007). Escândalos e voto: As eleições presidenciais brasileiras de 2006. Opinião Pública, 13(2), 260–282. https://doi.org/10.1590/S0104-62762007000200002

Rundquist, B. S., Strom, G. S., & Peters, J. G. (1977). Corrupt politicians and their electoral support: Some experimental observations. American Political Science Review, 71(3), 954–963. https://doi.org/10.2307/1960100

Silveira, F. E. (1998). A decisão do voto no Brasil. EDIPUCRS.

Sousa Oliva, J. D. (2021). Comportamento eleitoral: O dilema entre honestidade e competência nas eleições 2018 no Brasil e no México [Tesis de doctorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul]. Repositório Digital Lume. https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/226278

Sousa Oliva, J. D. (2023). El dilema de los votantes entre candidatos honestos y competentes en las elecciones de 2018 en México y Brasil. Nóesis. Revista de Ciencias Sociales y Humanidades, 32(64), 27–46. https://doi.org/10.20983/noesis.2023.2.2

Winters, M., & Weitz-Shapiro, R. (2013). Lacking information or condoning corruption: When do voters support corrupt politicians? Comparative Politics, 45(4), 418–436. https://doi.org/10.5129/001041513X13815259182857

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2025 José Daniel Sousa Oliva

Downloads

Não há dados estatísticos.