Resumo
Objetivo: O artigo analisa como a Operação Lava Jato se configurou como um maxiprocesso no Brasil e de que modo sua estrutura institucional e operacional permitiu sua instrumentalização política como ferramenta de lawfare, à luz da teoria do garantismo penal de Luigi Ferrajoli.
Metodologia: Adota-se uma abordagem qualitativa de natureza bibliográfica e documental. A pesquisa fundamenta-se na análise crítica da obra de Ferrajoli sobre maxiprocessos e garantismo penal, em documentos jurídico-normativos, especialmente a Lei nº 12.850/2013, manuais institucionais do Ministério Público e produção acadêmica relevante, incluindo o artigo de Sérgio Moro publicado em 2004.
Resultados: Os resultados indicam que a Operação Lava Jato incorporou elementos típicos dos maxiprocessos, como gigantismo processual, intensa midiatização, confusão de papéis entre acusação e julgamento e mutação do modelo clássico de legalidade penal. Identificam-se três condições estruturais pré-existentes que viabilizaram sua execução: a criação de um subsistema penal para o crime organizado, a ampliação do poder investigatório do Ministério Público e a atuação de forças-tarefa. Esse arcabouço permitiu a prática de ilegalismos operacionais, como manipulação de competência, uso coercitivo de medidas cautelares e cooperação indevida entre juiz e acusação.
Contribuições: O estudo contribui ao demonstrar como a erosão das garantias processuais e a politização do sistema de justiça podem comprometer o Estado Democrático de Direito, oferecendo subsídios teóricos e empíricos para o debate sobre lawfare e limites da persecução penal.
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